• Bibiana Danna

Memória afetiva

Atualizado: 25 de out. de 2020


Memoria Afetiva

O ingresso nessa viagem é permitido e possível a todos. A máquina do tempo está ao nosso inteiro dispor. A sua partida para o local de destino independe de condições climáticas, horário e recursos materiais. Basta somente que tenhamos o agente motivador para iniciá-la (fato importante e pessoal ligado à nossa história).

O viajante do tempo inicia a sua viagem sempre que o seu coração o liga a algo significativo do passado. Essas lembranças o fazem entrar na máquina e reviver determinado momento da sua vida. Dependendo do motivo que desencadeou a viagem, a sua experiência pode estar relacionada as mais diferentes emoções (tristeza, felicidade, paz de espírito, saudade, angústia, desespero, amor, compaixão, plenitude, dentre outras) e sensações (olfato, tato, paladar e audição).

Independentemente de ter despertado o lado luz ou o sombra que habita em nós, está viagem é repleta de ensinamentos e lições. Por remeter ao passado, por intermédio de algumas ferramentas úteis – fotografias, móveis e objetos de uso pessoal – revivemos episódios únicos da nossa vida como um terceiro observador.

Esse novo modo de enxergar a situação nos permite vivenciá-la de forma mais intensa e plena. Isso ocorre pelo fato de curtirmos o momento, a pessoa ou o lugar como realmente são. Desprovidos de qualquer julgamento, crítica ou outro tipo de atitude de separação. Na verdade, aceitamos todas as coisas como elas se apresentam sem nenhuma resistência.

Durante essa viagem nos portamos como se estivéssemos assistindo a um filme no qual não temos controle acerca do roteiro. Aceitamos a história que nos é contada e sempre buscamos aprender com ela. A sabedoria de se levar uma vida plena é justamente isso: sermos responsáveis pelas nossas escolhas com a consciência de que existem diversas variáveis que não controlamos. Resumindo: tudo é exatamente como tem que ser!

A viagem na máquina do tempo é muito especial e enriquecedora. Um dos principais motivos é que pode estimular a gratidão por todas as pessoas e coisas que fizeram parte da nossa vida. Aos poucos, e sem percebermos, começamos a ter mais cuidado e atenção com todos que estão ao nosso lado. Há uma mudança no modo de nos relacionarmos com o mundo e com os seres que dele fazem parte.

A máquina do tempo está estacionada esperando tão só que você acesse a sua memória afetiva. É uma viagem rápida, sem custo e emocionante. A única condição é que você se permita acessar as lembranças e sentidos adormecidos no seu íntimo. Portanto, quando ela chegar aproveite ao máximo a experiência. Vale a pena!

Bom dia amigos queridos:

Um abençoado domingo para todos!

Memória afetiva é um assunto que me remete a casa dos meus avós maternos Mário e Amélia. Sempre foi assim: penso neles e me sinto como se estivesse na casa deles. Subo as escadas, abro a porta e imediatamente vejo o antigo relógio de parede (belíssimo, que tocava sempre às 12:00 e 24:00). Até hoje tenho um carinho especial por objetos antigos e, em especial, por relógios.

Vou para a cozinha e enxergo o meu querido avô cortando pedaços de salame e queijo para fazer o aperitivo e mais tarde a minha avó fazendo o almoço.

O meu avô, todo final de semana, buscava os netos para passear. Antes de sairmos, ele sempre dizia: “Vamos rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria para nos proteger e em homenagem ao meu querido Papai”. Eu me sentia muito segura e feliz. Ele me ensinou a rezar e a lembrar das pessoas queridas e amadas que estão numa nova vida que desconhecemos.

Os nossos avós, todo ano, na época das férias, nos esperavam em Passo Fundo com muito amor e carinho. Os dois iam nos buscar na rodoviária e a vó sempre fazia uma sopa muito especial de agnolini. Para o almoço, o menu que eu mais gostava era bife à milanesa com salada de repolho bem fininha (nunca comi nada igual). Época maravilhosa e inesquecível que revivo diariamente na minha vida (pequenos-grandes momentos).

Com eles aprendi a ter essa visão da presença na ausência, valorizar os pequenos-grandes momentos da vida, ter gratidão e acessar a memória afetiva. A minha máquina do tempo, na maioria das vezes, está em Passo Fundo na presença dos meus queridos avós.

Sei que todos também têm experiências como essas para contar e compartilhar. Só espero que vocês tenham a oportunidade, como eu tive, de demonstrar a essas pessoas todo amor e gratidão que tem por elas.

Um abraço forte e carinhoso,

Bibiana Danna.

1 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo