• Bibiana Danna

Presença na ausência

Atualizado: 25 de out. de 2020


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É comparecer em um lugar e hora predeterminados para a prática de alguma atividade. São os compromissos que nos acompanham ao longo dos dias. Contudo, o conceito de presença é muito mais amplo que isso. Trata-se de se estar em completa sintonia e harmonia com o que se passa no agora, sem qualquer interferência do que ocorreu no passado e acontecerá no futuro.

O se estar presente exige o comparecimento físico de alguém em um evento. A presença independe desse contato material entre as pessoas. O elo de ligação, neste caso, não é o corpo e sim o amor que envolve os seres. A manifestação da presença ocorre sempre que nos lembramos de um ente querido com afeto, pouco importando se ainda está presente ou se acordou para uma nova vida que ainda não conhecemos.

Todos que estão nessa nova vida nos deixam muita saudade, boas lembranças e ensinamentos. Somos capazes de lembrar de pequenos grandes momentos ao lado deles (um passeio, uma conversa, conselho e até mesmo o silêncio compartilhado). Ao revivermos essas experiências os sentimos bem próximos de nós e, não raro, até mais perto do que quando estavam presentes.

Os verdadeiros amores – estando presentes ou ausentes – nos acompanham por toda a eternidade pela simples razão de habitarem o nosso coração e alma. Logo, inexiste separação entre aqueles que se amam, pois o amor independe da existência material para brotar, se manter e fluir.

A separação física – marcada pela ausência ou pela distância territorial – é incapaz de desunir seres que se amam e se querem bem. O verdadeiro amor transcende o tempo, o espaço e a materialidade. Quando despertamos para essa realidade percebemos que existem outras formas de nos comunicarmos com os entes queridos que fisicamente estão separados de nós.

As comunicações com aqueles que estão distantes (nova vida ou fisicamente) são especiais, inusitadas e cheias de significados. Isso acontece quando sonhamos, lembramos das suas expressões e gostos peculiares, sentimos um cheiro ou sensação agradável repentinamente e, principalmente, nos casos em que repetimos as virtudes que tanto nos fizeram amá-los.

Na verdade, a grande mudança na relação que estabelecemos com eles é que não precisamos mais do corpo e de suas manifestações para interagirmos. A relação é muito mais refinada, sutil e amorosa. Não tem espaço para as cobranças e julgamentos do dia a dia. Há muito mais sabedoria e cumplicidade.

Estas pessoas especiais nos acompanham ao longo da nossa vida corpórea e para além dela. Pessoas que se amam são almas que se amarão para sempre. É a lei da Afinidade em comunhão com a Lei da Eternidade, ambas leis universais. A vida corpórea e a incorpórea são um mistério que jamais será desvendado, mas isso não nos impede de acreditarmos que há uma nova vida além desta que conhecemos.

As pessoas que você ama e estão distantes são uma presença na sua vida? Saiba que isso é possível e só depende da sua forma de encarar e receber essa nova realidade. Os seus entes queridos estão dentro do seu coração e em cada uma das suas atitudes e decisões. O amor é assim: uma relação de duas ou mais pessoas que aprendem e ensinam coisas umas para as outras e que sobrevive aos limites temporais e espaciais.

Bom dia queridos amigos:

Um lindo domingo para vocês!

Eu tenho o privilégio de ter três pessoas muito especiais sempre ao meu lado. Sinto a presença delas ainda mais viva agora que estão na nova vida que desconheço.

São os meus amados e inesquecíveis avós maternos Mário Menegaz e Amélia Danna Menegaz e o meu anjinho Felipe que hoje estaria com com 32 anos.

A presença deles na minha vida é marcante e inspiradora. O meu irmão é um anjinho e por causa do meu amor por ele o meu primeiro filho se chama Felipe. O meu avô Mário (um homem honrado, honesto e inteligente) foi um grande político no sentido filosófico da palavra: durante a sua vida (Prefeito por duas vezes na cidade de Passo Fundo)buscou o bem comum ajudando as pessoas a terem condições melhores de vida.

Lembro como se fosse hoje – ao andar pelas ruas de Passo Fundo com o meu avô – da admiração que eu sentia ao perceber a gratidão das pessoas por ele. Detalhe: o meu querido avô já tinha sido prefeito a muito tempo e as pessoas ainda se lembravam dele e das oportunidades que proporcionou.

Para mim, ele é um exemplo de pessoa íntegra e bondosa. Então, sempre que vejo, faço ou penso em algo nobre ele me vem imediatamente na mente e sinto uma alegria imensa no coração.

A minha amada vó Amélia me inspira no lado criativo da vida. Seu talento em desenhar e esculpir sempre me chamou atenção. Mais o que mais me marcou foram os dias em que ela me buscou no colégio. De lá íamos para a sua casa. Ela me colocava em cima de uma bancada e servia um café maravilhoso acompanhado com torrada e manteiga! O mesmo menu repetido carinhosamente por anos. Sinto o cheiro e o gosto desses momentos até hoje.

Ao lembrar da minha avó sinto-me confortada, amparada e acolhida. Encontrei uma forma carinhosa de retribuir um pouco do meu amor: o meu filho mais novo, Lucas, nasceu no mesmo dia que ela: 22 de julho. E mais: O Danna de Bibiana é dela. Com os meus textos busco fazer uma homenagem que ficará eternizada.

Estas três pessoas únicas estão sempre comigo. Não sinto sequer saudade. Elas são presenças vivas no meu coração.

Sinto muita gratidão por ter o privilégio de usufruir destas presenças tão maravilhosas na minha vida.

Gratidão eterna.

Bibiana Danna.

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