• Bibiana Danna

Regue o seu jardim

Atualizado: 25 de out. de 2020

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Todo indivíduo nasce com inúmeros dons e possibilidades para serem desenvolvidos ao longo da vida. Esse conjunto de atributos é o nosso jardim. O seu desenvolvimento e crescimento dependerá exclusivamente da forma como cada um se posicionará durante os períodos férteis e de estiagem.

O jardineiro fiel é aquele que recebe e aceita o seu jardim na sua completude: com as partes produtivas e as improdutivas, inclusive com as pragas e ervas daninhas que porventura nele se instalarem. Além disso, o verdadeiro jardineiro não faz comparação do seu jardim com os demais. Na verdade, ele já não mais se ilude achando que o jardim alheio é mais florido que o seu.

Ao observar o seu jardim, concluiu que ele é personalíssimo e, portanto, inalienável. Por tais razões, não há lugar para qualquer tipo de transferência de responsabilidade ou até mesmo comparação com o jardim do vizinho.

Essa postura madura garante uma paz de espírito e concede as forças necessárias para que a parte improdutiva e com ervas daninhas do jardim seja constantemente tratada e nutrida. Durante este processo – lento e doloroso –  é que aprendemos as maiores lições de nossas vidas.

Sem dúvida, um dos aprendizados mais importantes diz respeito à questão atinente ao controle dos nossos desejos. Infelizmente, no mundo no qual vivemos este autocontrole não é valorizado, muito pelo contrário. Somos convidados insistentemente a buscar os prazeres e entretenimento. Estas distrações entorpecem a nossa mente e os sentidos com o objetivo inalcançável de evitar a frustração, decepção e qualquer tipo de contrariedade.

Aqueles que embarcam nesse chamado sentem-se cada vez mais vazios, deprimidos e viciados nesse modo de ser voltado somente para a satisfação imediata, precária e sem sentido. É a partir daí que o homem é dominado pelos seus desejos e entra num ciclo vicioso desgastante e gerador de muito sofrimento.

Quem abdica do poder de educar os desejos torna-se escravo de todas as coisas externas desprovidas de qualquer significado real. Leva um dia depois do outro, arrastando-se numa atitude passiva perante a vida extremamente debilitante e cansativa. Torna-se uma pessoa sem atitude e comprometimento consigo mesma. Os acontecimentos a levam de um lado para o outro como um barco sem direção movido ao sabor do vento.

Com esta atitude o jardim fica abandonado, as ervas daninhas crescem e tomam conta de tudo que é belo, puro e tem vida. A pessoa não se pertence mais pelo simples fato de ter esquecido de regar, cortar e podar as plantas do seu jardim.

Esta negligência pode ser revertida a qualquer momento e depende da vontade do seu jardineiro. Esse espírito de motivação é que conduz o homem na luta diária para empregar o melhor de si em tudo que fizer. Não se trata de uma bênção especial concedida a alguém, mas simplesmente a vontade pura que impulsiona a nossa vida e nos faz perceber que só chegaremos a ela quando controlarmos os nossos desejos e o direcionarmos a um objetivo.

O seu jardim é único, belo e tem tudo que você precisa para se tornar um indivíduo melhor, mais realizado e com paz interior. Você realmente está disposto a ser um jardineiro fiel e tentar controlar os seus desejos em prol de um objetivo maior representado pela sua real vontade de ser quem deseja?

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