• Bibiana Danna

E-mail para Martha Medeiros: a peça que faltava

Atualizado: 25 de out. de 2020


a peça que faltava 1

Para ser sincera não sei quando percebi que escrever fazia a minha alma feliz. Minha natureza observadora e filosófica com muita facilidade me levava para lugares que só a imaginação pode conduzir. As pessoas, sentimentos, emoções e atitudes sempre foram o foco da minha atenção. Aos poucos, fui desenvolvendo uma habilidade em tentar absorver o maior número de informações possíveis dos ambientes e pessoas que encontrava ao longo do caminho.

O tempo passou e, numa madrugada, às três da manhã, me veio a inspiração de escrever o primeiro post do meu blog: Plenitude, contemplação e gratidão. O texto veio pronto, com título e conteúdo. Fluiu com uma naturalidade espantosa. De lá para cá, entre pausas e retomadas, escrevi vários textos. Contudo, uma inquietação não me abandonava… encontrar a melhor estratégia para me tornar uma escritora e poder compartilhar as minhas experiências com um número cada vez maior de pessoas.

Ficava pensando em como os grandes nomes da nossa literatura, Mário Quintana, Cora Coralina, Clarice Lispector e tantos outros, fizeram para serem reconhecidos e poderem espalhar aos quatro cantos do mundo a riqueza das suas vivências. O legado de quem escreve, ou se dedica a qualquer tipo de arte, é deixar as experiências e visão de mundo para as gerações futuras. Já sabia que era isso que queria fazer e, finalmente, tinha encontrado minha missão de vida. Mas, novamente, o “como” tornar isso possível tirava o meu sono.

Enquanto seguia a vida,  a minha mente ficava martelando para encontrar a melhor estratégia para ter os meus textos conhecidos. Não lembro como foi, mas o que posso dizer é que surgiu a ideia de pesquisar os e-mails de escritores e de editores de jornais e revistas. Com uma lista impressa de centenas de profissionais botei a mão na massa. Enviei centenas, ou até mais, de mensagens eletrônicas apresentando o meu trabalho. Contava um pouco de mim, anexava ao e-mail um dos meus posts e convidava para uma visita ao blog.

Minha intenção era de receber alguma proposta de trabalho para ser colunista ou algo do gênero em algum jornal ou revista. Como leitora, sinto falta de textos que abordem temas relativos ao autoconhecimento voltados para as questões existenciais e inquietudes humanas. Tudo que escrevo gira em torno disso. Acreditava e ainda acredito que um dos caminhos para o bem-viver é a busca constante pela escuta da voz interior.

Fiquei anos tentando… tentando… até que no dia 27 de junho de 2017 recebi a resposta da Martha Medeiros. Lembro como se fosse hoje. Meu coração pulou de alegria. Ela foi de uma disponibilidade e doçura que me emocionaram. Mandei para ela o texto Regue o seu Jardim. A Martha de forma certeira me mostrou o caminho das pedras. Tomo a liberdade de transcrever o que ela me sugeriu, sem tirar nem por:

” Oi Bibiana, tudo bem? Obrigada pelo teu carinho. Olha, estou saindo de férias daqui a uns dias, então muita correria por aqui para deixar tudo ajeitado, na volta visito o teu blog, pode ser? Li teu texto, está bacana, mas acho que tens que dar uma dispensada na “advogada”, ele tem uma formalidade excessiva. Aproveita a alforria que a literatura concede: tira o blazer escreve de calça jeans! ; ) Beijo, Martha.”

Respondi a ela agradecendo pela generosidade e, principalmente, pela dica mais valiosa que me deu: “Li teu texto, está bacana, mas acho que tens que dar uma dispensada na “advogada”, ele tem uma formalidade excessiva. Aproveita a alforria que a literatura concede: tira o blazer escreve de calça jeans! ; )…” Ela estava coberta de razão. Nesses quase dois anos estou tentando seguir as orientações dela. Acho que estou no caminho. Acredito que ela não tenha noção do bem que me fez. A atenção dela para mim, uma total desconhecida, foi uma das maiores motivações que tive para seguir rumo ao meu sonho de me tornar uma escritora lida por muitas pessoas.

Não sei se esse meu depoimento será algum dia publicado. Isso só acontecerá se a Martha Medeiros me autorizar a fazê-lo. De qualquer forma, sei que a partir da resposta dela o meu sonho pareceu estar cada dia mais próximo de se realizar. Gratidão querida Martha pelo seu carinho e atenção. Jamais me esquecerei da sua dica e da atitude nobre que teve ao atender uma desconhecida.

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