• Bibiana Danna

Permita-se florescer!

Atualizado: 25 de out. de 2020


elegancia


Permita-se florescer!


Estava fazendo a minha caminhada matinal quando vi este lindo chapéu no jardim de uma casa. Fiquei curiosa para saber quem seria a delicada dona e, a partir daí, a imaginação correu solta… A casa tinha um pequeno pomar com algumas árvores frutíferas plantadas em vasos: limoeiro siciliano, amoreira, jabuticabeira, aceroleira e pitangueira, esta última exalava um perfume doce e levemente ácido e, por tais razões, estava repleta de passarinhos. Não sei quanto tempo fiquei contemplando o pomar e a sua beleza natural. Sentia-me como se o tempo tivesse parado e toda quela simplicidade e harmonia foi capaz de me fazer sentir inteira, completa e viva.

Uma voz rouca, baixa e gentil me chamou para entrar. Fiquei surpresa com o convite e, principalmente, pela coragem dela de abrir a sua casa para uma estranha. Entrei, ela tirou o chapéu de palha da cadeira, colocou na sua cabeça, e me pediu para sentar. Enquanto conversávamos, a Mariá pegou algumas acerolas que estavam no chão e fez um delicioso suco. Desde que a vi, tive a impressão de conhecê-la há anos. Comentei que estava observando seu lindo pomar, os pássaros, mas admiti que parei a caminhada por causa do delicado chapéu de palha encostado na cadeira.

Ela riu, deu um gole no suco, e confidenciou que o chapéu de palha era a isca para fazer novos amigos. Confesso que, mais uma vez, fui surpreendida. Contei para a Mariá que parei a caminhada justamente por causa dele e, só depois, percebi a beleza do pomar, dos pássaros e da fonte de anjinhos. Ela me contou que teve essa ideia logo depois que o seu casamento, de mais de setenta anos, teve fim com a morte do marido. Entrou em profunda depressão e pediu a Deus que lhe ajudasse. Um tempo depois, a sua filha mais velha, lhe presenteou com o chapéu de palha e algumas árvores frutíferas em vasos. Assim que recebeu o presente teve a ideia. De lá para cá, cerca de dois anos, perdeu a conta de quantas pessoas sensacionais conheceu por intermédio dele.

O telefone tocou. Mariá foi atendê-lo. Fiquei observando a sua agilidade em dirigir a cadeira de rodas motorizada. Ela voltou com um quadrinho com o fundo colorido com os seguintes dizeres: “Permita-se florescer”. Chegou perto de mim, me deu um forte abraço, e ficou em silêncio. Em seguida, com os olhos azuis piscina, me perguntou: “Querida, você se permite florescer?”. Pensei e lhe respondi que “até aquele momento não mas…. que a partir de agora tinha conhecido uma linda senhora que me ensinou a ver a vida com amor e gratidão.” Mas não foi só isso que aprendi. Seu modo de viver me mostrou que o caminho para o bem-estar envolve atitudes disponíveis a qualquer pessoa: simplicidade e criatividade. Não existe nenhum problema, nem sequer a morte, que possa destruir a vida de quem se nutre com essas duas ferramentas existenciais.

2 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo